Príncipes de Mesolcina: Trivulzio Galli ou Gonzaga Trivulzio Galli?
- Secretaria do Conselho Privado da Casa Principesca
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Atualizado: há 4 dias

Sei quem um dos temas que mais levanta curiosidade sobre mim e a minha família é: nosso sobrenome é Trivulzio Galli ou Gonzaga Trivulzio Galli? Qual é o sobrenome “correto” ou “oficial” da Casa Principesca de Mesolcina e Alvito?
A própria existência de sobrenomes é um fenômeno próprio da Nobreza Italiana... a Nobreza alemã, até nossos dias, utiliza os títulos de família no lugar dos sobrenomes; e por isso, os Príncipes da Casa Real da Prússia utilizam o título Prinz von Preussen após o nome de batismo, e não o sobrenome da família, que é Hohenzoller. Ou os Príncipes da Casa Real da Baviera utilizam o título Prinz von Bayer e não Wittelsbach, que é o sobrenome da família. Neste sentido, para a nobreza germânica, o sobrenome tem um senso de tradição familiar, porém não uso civil, totalmente diferente da nobreza italiana, onde muito mais importante do que o título, é o sobrenome da família.
Então, o correto é Trivulzio Galli ou Gonzaga Trivulzio Galli? A resposta é um peculiar “ambos”, seguido da explicação. A ligação dos Trivulzio Galli com a Casa Gonzaga se deu através de vários casamentos entre seus membros, porém aquele que nos legou seu sobrenome foi o casamento entre o Príncipe Don Carlo Emanuele Teodoro Trivulzio, VI Duque de Mesolcina, Marquês de Melzo e Gorgonzola, VI Príncipe de Trivulzio (muito conhecido em Milão sob o nome de Príncipe D. Teodoro VIII Trivulzio) com a Princesa Donna Caterina Gonzaga di Castel Goffredo, filha do Príncipe D. Alfonso Gonzaga, Marquês de Castel Goffredo, que era irmão mais velho de D. Ferrante Gonzaga, Marquês de Castiglioni. Este Ferrante Gonzaga di Castiglioni teve dois filhos, o mais velho foi San Luigi Gonzaga, um grande Santo, o segundo filho foi Rodolfo Gonzaga, que ficou conhecido por ter mandado matar o próprio tio, Alfonso, pai de minha antepassada D. Caterina Gonzaga.
Mas, por qual motivo o irmão de San Luigi Gonzaga mandou assassinar o próprio tio em 7 de maio de 1592, festa da Ascensão do Senhor? A resposta é bem simples: sabendo que o tio não tinha filhos varões, e que o Marquesado de Castel Goffredo era um Feudo de Investidura Imperial, o mesmo poderia ser herdado, Jus Uxoris, pelo marido de sua prima, Donna Caterina. Assassinando o tio, Rodolfo Gonzaga tenta tomar posse do Marquesado de Castel Goffredo. Todavia, Donna Caterina Gonzaga casa-se, em 1596 com um grande líder militar, que tendo as conexões certas na Corte Imperial, poderia lutar pelos direitos sucessórios em nome de sua esposa, e assim foi feito. O VI Duque de Mesolcina, Marquês de Melzo e Gorgonzola entra com um pedido na Corte Ducal de Mantova, e ao mesmo tempo recorre ao Imperador para que o Marquesado de Castel Goffredo lhe fosse entregue Jus Uxoris. Como Rodolfo Gonzaga havia morrido em 07 de março daquele mesmo ano, não havia quem ser punido pela morte de Don Alfonso Gonzaga, e o Imperador manda que o Marquesado seja entregue ao Duque de Mesolcina. Porém, como nem tudo é tão simples, o Duque de Mantova, Vincenzo I Gonzaga, em troca de que se os Trivulzio conservassem o sobrenome Gonzaga, junto do seu, seriam considerados herdeiros do Ramo de Castel Goffredo, bem como credores do Ducado de Mantova.

É por esse motivo que o filho de Donna Caterina Gonzaga di Castel Goffredo e Don Carlo Emanuele Teodoro Trivulzio, Don Giangiacomo Teodoro II, que em 1605, ano da morte de seu pai, em pagamento pelos serviços paternos ao Sacro Imperador é elevado ao título de I Príncipe de Mesolcina, de Mesocco e do Sacro Romano Império, utiliza o sobrenome Gonzaga Trivulzio, que leva tão a sério, que deixa instruções para que sejam gravadas em sua lápide ao lado do brasão dos Trivulzio aquele dos Gonzaga, com a diferença de terem as águias voltadas para o centro do escudo, e não para a direita, bem como o brasão de sua já falecida esposa, a Princesa Giovanna Maria Grimaldi de Mônaco. O I Príncipe de Mesolcina, de Mesocco e do Sacro Romano Império passa o sobrenome Gonzaga Trivulzio a seus dois filhos, a Princesa Donna Ottavia Gonzaga Trivulzio, que casa-se com o Príncipe Don Tolomeo III Galli, IV Duque d’Alvito, III Príncipe de Molise e Príncipe Romano; bem como para o Príncipe Don Ercole I Teodoro Gonzaga Trivulzio, II Príncipe de Mesolcina, de Mesocco e do Sacro Romano Império, que casando-se com a Princesa Donna Orsina Visconti Sforza di Caravaggio foi pai de Don Antonio VI Teodoro Gonzaga Trivulzio III Príncipe de Mesolcina, de Mesocco e do Sacro Romano Império. Este Príncipe não teve descendência, e para evitar a extinção da Casa Principesca de Mesolcina, após obter a aprovação do tio, o Duque de Alvito, buscou a aprovação do Sacro Imperador Romano para adotar seus dois primos, filhos do casamento de sua tia com o Duque d’Alvito, assim os Príncipes Francesco I Galli e Gaetano Galli passam a adotar o sobrenome Gonzaga Trivulzio junto de seu sobrenome paterno, e surge o nome Gonzaga Trivulzio Galli, em cujos direitos foram confirmados os de sucessores de todos os direitos, honras, bens e Feudos da Casa Principesca de Mesolcina, como foi oficializado pela chamada “Bula de Ferro” do Sacro Imperador Leopoldo I, de 1678.
O fato é que em 1708 o Ducado de Mantova e Monferrato deixou de existir, pois seu Soberano, Ferdinando Carlo Gonzaga-Nevers foi considerado traidor pelo Sacro Imperador José I, e as terras do Ducado foram divididas entre a Casa di Savoia, que ficou com o Monferrato, e a Casa d’Áustria, que ficou com Mantova... nem os Gonzaga Trivulzio Galli, nem os Gonzaga di Vescovato nem nenhum outro descendente da família Gonzaga herdou coisa alguma. Para manter viva a herança nunca paga da propriedade do Marquesado de Castel Goffredo, Sua Alteza Sereníssima o Príncipe Don Antonio VIII Tolomeo Gonzaga Trivulzio Galli, V Príncipe de Mesolcina, de Mesocco e do Sacro Romano Império, cria, no âmbito do Principado de Mesolcina, utilizando seu Fons Honorum como Príncipe com Imediatismo Imperial, uma Ordem de Cavalaria com o nome de Suprema Ordem Dinástica, Religiosa-Militar do Preciosíssimo Sangue do Redentor, que obteve aprovação do Papa Clemente XI, como memória daquela Ordem do Preciosíssimo Sangue do Redentor fundada pelo Duque Vincenzo I Gonzaga de Mantova em 1608, e que perdeu seu Grão-Mestre e deixou de existir após a derrocada de Ferdinando Carlo Gonzaga-Nevers; Ordem Dinástica essa que continua em pleno funcionamento, restrita a apenas 20 Cavaleiros detentores do Colar da Ordem, como o Estatuto original da Ordem Mantovana previa.
Com o passar do tempo as recordações do Feudalismo foram ficando cada vez mais apagadas, ainda mais em relação ao Marquesado de Castel Goffredo, que nunca nos foi entregue. Por vezes, como até hoje fazemos, o sobrenome Gonzaga Trivulzio Galli foi usado de modo completo, por vezes usamos apenas o Trivulzio Galli ou mesmo por vezes só um desses dois, como eu mesmo faço nos meus atos de vida cotidiana, mantendo o sobrenome composto de três partes Gonzaga Trivulzio Galli apenas para os atos oficiais, e imagino que nas cartas escritas a mão nos séculos anteriores, muitos dos Príncipes de Mesolcina e Duques d’Alvito que me precederam fizeram exatamente o mesmo.
Sobre uma possível “disputa” com Sua Alteza Sereníssima o Príncipe D. Maurizio Ferrante Gonzaga di Vescovato, Marquês del Vodice, isso jamais irá ocorrer. Ele é o Chefe do Ramo Gonzaga di Vescovato, o último ramo masculino sobrevivente da Dinastia Gonzaga, é o herdeiro das honras e dos Direitos de sua família, e, afinal de contas, somos parentes, mesmo que afastados, e por isso o tenho e alta consideração, pois é um exemplo de Príncipe Católico, de Cavaleiro e de genealogista e historiador.
A única coisa que levamos dos Gonzaga é a representação genealógica dos Gonzaga di Castel Goffredo, Castiglioni e Solferino, já que Donna Caterina Gonzaga di Castel Goffredo era a prima-irmã de San Luigi Gonzaga, obviamente somos o ramo familiar genealogicamente mais próximo desse grande Santo, por quem tenho enorme devoção, além de mantermos o sobrenome Gonzaga, pelos motivos que acima já foram mencionados, além do brasão combinado Gonzaga + Trivulzio + Galli, a exemplo de como o I Príncipe de Mesolcina, de Mesocco e do Sacro Romano Império quis que se utilizasse em sua lápide na Basílica de Santo Stefano Maggiore de Milão.
Castelo de Viglas, 10 de novembro de 2025.

S.A.S. o Príncipe D. Andrea III Gonzaga Trivulzio Galli
XVIII Príncipe de Mesolcina, de Mesocco e do S.R.I., XXI Duque de Alvito, XX Conde-Duque d'Atina,
Príncipe de Canterano, Marquês Pontifício de Viminale, XVIII Príncipe de Trivulzio-Galli, Marquês de Melzo e Gorgonzola, etc.




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