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Brasão da Dinastia x Brasão do Principado

 

A Heráldica é uma ciência riquíssima, e que apenas pode ser plenamente compreendida, caso estudada junto da História, da Genealogia, bem como do Direito Sucessório. Quanto estudada nesse conjunto, a Heráldica revela-se um dos maiores campos da Arte Medieval, e pós Medieval.

Um brasão de Armas (muitas vezes designado apenas como "Cota d'Armas") inicialmente foi criado para representar um indivíduo em combate. Com o passas dos anos, o brasão tornou-se hereditário, e alguns deles passaram a representar determinada família, ou ainda, a ser associado a determinado Título de Nobreza.

Com o avanço do Sistema Feudal, já na Baixa Idade Média, tornou-se imperioso que determinados feudos tivessem um brasão próprio da terra que representavam, independente da família que reinasse sobre ele. Esses primeiros brasões territoriais surgiram de modo a que os servos do Senhor Feudal pudessem lutar, abaixo de seu comando, todos com a mesma Cota d'Armas, porém sem utilizar o brasão de seu Senhor, propriedade sua e de sua família.

Dessa forma, na Escandinávia, os três leões de blau (azul) sob fundo de ouro, passaram a representar o Reino da Dinamarca, muito embora seus Reis tivessem brasões próprios. Na Inglaterra algo muito semelhante ocorreu, quando três leões de ouro sob fundo de goles (vermelho) passaram a representar o país, muito embora seus Reis tivessem brasões próprios.

Gian Giacomo II Trivulzio, o primeiro Trivulzio a Reinar sobre Mesolcina.

Gian Giacomo II Trivulzio, chamado de "O Grande Trivulzio", conquistou militarmente o antigo Condado de Val Mesolcina em 1480. Além de Val Mesolcina, foram também tomados os Vales de Calanca e Hinterrhein. Eram esses três vales o primeiro Feudo da Casa de Trivulzio em terras suíças. Gian Giacomo II recebeu como Privilégio por Sua Majestade Cristianíssima o Rei Carlos VII da França o Estandarte da Casa Principesca, que foi composto por uma bandeira verde semeada de flores-de-lis douradas. O verde e o dourado são as Cores da Casa Trivulzio, e as flores-de-lis são o símbolo da Casa Real da França.

Moeda de Gian Giacomo II, contendo a Cruz Trivulziana (com sua Rosa) acantonada por flores-de-lis.

Águia de Mesolcina.png

A assim chamada Águia de Mesolcina, após o Aumento de Honras concedido pelo Imperador Fernando III

Os Anjos, Armas Dinásticas:

 

O Rei Jean II de França, dito O Bom, concedeu em 1350 pelos serviços prestados à França pelo Margrave D. Ambrogio II Trivulzio, XI Conde de Trivulzio, III Margrave de Trivulzio-Locate, que nesta data havia se tornado Podestà de Cremona, o Rei João II de Valois, dito João o Bom concede a D. Ambrogio II e a todos os seus descendentes um Aumento de Honras que consistia: Armas de França com uma bordadura de goles carregada de oito rosas d'ouro. Para além do Aumento de Honras no escudo, o Rei João II de França também concedeu, em 1350, a honra heráldica hereditária da utilização de dois anjos vestidos com túnicas verdes e com asas douradas como suportes heráldicos, anjos estes, que sendo concedido intencionalmente nas cores da Casa Trivulzio, tornaram-se os chamados sóstenes dinásticos da Casa.

 

A Águia, Armas de Estado: 

Contudo, em 1480, o Sacro Imperador Romano Frederico III concede ao Príncipe D. Gian Giacomo II Trivulzio, dito O Grande, 1º Duque de Mesolcina, o Privilégio Heráldico de utilizar uma águia bicéfala preta, com bicos e garras douradas, linguada de goles, com auréolas de ouro em ambas as cabeças, pelos feitos gloriosos da Grande Trivulzio na conquista de Mesolcina. Mais tarde,  Águia de Mesolcina, por um Aumento de Honras concedido pelo Sacro Imperador Fernando III, passa a levar um cetro d'ouro com detalhes azuis (cetro principesco) na garra destra e um órbi dourado na garra sinistra, bem como tem a Fürstenhut em ambas as cabeças, sendo a Fürstenhut sido concedido como de modo que a Águia de Mesolcina passou assim a ser diferente de todas as demais águias bicéfalas de sable, utilizadas na heráldica imperial, e por demais famílias da Nobreza do Sacro Império Romano que receberam a águia bicéfala de sable em suas Armas.

Sua Alteza Sereníssima o Príncipe D. Giangiacomo Teodoro II Gonzaga Trivulzio, 1º Reichsfürst von und zu Mesolcina-Retegno-Bettola-Dornberg, Fürst von Mesolcina und Mesocco, passa a utilizar a Águia de Mesolcina, com os Aumentos de Honras concedidos pelo Sacro Imperador Fernando III como um símbolo de sua autoridade como Príncipe Imperial, contudo, jamais abandona o uso dos anjos concedidos pelo Rei de França em suas Armas Familiares, de modo que, na prática, o brasão dinástico é aquele que tem os anjos (ou apenas os anjos) e o brasão com a águia é o símbolo do Estado Principesco e de seu Príncipe Soberano.

Brasão de Grandes Armas da Principesca e Ducal Casa de Gonzaga Trivulzio Galli, de Mesolcina, Alvito e Castelgoffredo

Brasão de Grandes Armas do Principado de Mesolcina (e em alguns períodos, também utilizado no Ducado de Mesolcina)

A Águia de Mesolcina, como ficou oficialmente conhecida a águia heráldica bicéfala, munida dos Aumentos de Honras concedido pelo Imperador Fernando III, passou a ser utilizada em diversas maneiras, que seja dentro do escudo, onde colocam-se as Grandes Armas do Príncipe de Mesolcina e Duque de Alvito, quer seja atrás do escudo (como acima visto).

Brasão de Grandes Armas do Principado de Mesolcina, Alvito e Estados Anexos, com a Águia de Mesolcina dentro do escudo.

Tanto o brasão da Casa Principesca como o brasão do Principado continuam a ser utilizado em nossos dias, com suas variações de Grandes Armas (quando utiliza-se o escudo pleno como acima); Médias Armas, quando utiliza o escudo esquartelado I de Galli-Dreux, II de Trivulzio, III do Ducado de Alvito e IV de Gonzaga di Castelgoffredo; ou Pequenas Armas, isso é, quando utiliza apenas o escudo com o Palado Trivulziano.

Por vezes, por motivos simplesmente estilísticos, os anjos podem ser representados em formas angelicais infantis, sem a túnica verde; isso porém não é uma diferenciação heráldica, sendo apenas um modo como os artistas heráldicos preferem blasonar. 

 

A maior variação estilística é no uso das Pequenas Armas, uma vez que Sua Alteza Sereníssima o Príncipe D. Andrea III Gonzaga Trivulzio Galli, atual Duque de Mesolcina, assim como seus predecessores, preferem manter o uso de desenhos de anjos cujo desenho original remonta ao século XV, utilizados, porém, de forma estilística e menos detalhada em nossos dias.

Desta forma, são as Pequenas Armas da Casa Principesca e do Principado de Mesolcina, respectivamente: 

Brasão de Médias Armas da Principesca e Ducal Casa de Gonzaga Trivulzio Galli, de Mesolcina, Alvito e Castelgoffredo

Brasão de Pequenas Armas do Príncipe de Mesolcina

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